Mais sobre Nuarro Lodge

… eu sei. Mas não culpem, foi difícil voltar antes, não deu mesmo, juro que não foi descaso.

Este post é a continuação do anterior, só para fechar mesmo e contar um pouco mais do que se pode fazer no Nuarro Lodge – além é claro de comer, trabalhar o bronze, caminhar, jiboiar, adormecer, contar estrelas, observar a rotina dos caranguejos…

As actividades principais do Lodge são em interacção com o azulão de nossas vidas: o mar. Pode se fazer mergulho (inclusive o curso, para quem queira e vá permanecer tempo suficiente. Amor fez e AMOU!) nos corais – eu sou medricas mas vi as fotos e videos que o Pitão fez  no fundo do mar com o grupo e é cada criatura linda, parece outra dimensão! – snorkeling para quem não queira ir tão fundo, passeios de kayak – esse eu fiz, YEEEIII! -, piqueniques nos mangais e nas praias (há as do lodge e uma privada, linda!).

A equipa é super sangue bom – não é por ser amiga de dois deles, juro! ehehehe – e conta com dois instrutores profissionais de mergulho, a Kerry e o Aaron, muito simpáticos e que sabem transmitir segurança sempre com muito bom humor!

Os mangais minha gente, valem tudo a pena. Eu sempre tive pavor de actividades em alto mar (traumas da minha torta existência, nada grave) e foi um desafio pra mim enfrentar o kayak, que é para quem não sabe, basicamente uma canoinha onde cabem um ou dois ocupantes. Fui com o Pitão, o que é claro fez toda a diferença. E digo-vos: 10 minutos depois, quando consegui controlar a compulsão de olhar pra baixo e panicar (porque a água é tão transparente que dá p’ra ter perfeita sensação de quão fundo é e imaginar tudo que pode dar errado), quando aprendi a controlar o kayak e parei p’ra prestar atenção em toda a calmaria, beldade e magia dos mangais esqueci tudo. Até me arrepio de lembrar. Sair das super ondas do mar e entrar naquele canalzinho em que de repente tudo muda: a água é calma e paradinha, não se ouve barulho que não sejam dos pássaros ou das nossas risadas e tudo flui…
Infelizmente ainda não tenho as fotos que tiramos nos mangais, exactamente como as dos mergulhos do David porque foram tiradas pelas máquinas dos instrutores e ainda não conseguimos acesso a elas, mas assim que as tiver exibirei minha coragem e bravura! Hahahaha!

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Instrutor Aaron, passando informações de comunicação debaixo d’água! E meu gato muito sexy em roupa de mergulho!

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Testando a funcionabilidade do equipamento (fazia parte do curso também!)

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A equipa que ajuda na manutenção e preparação do equipamento, todos de amarelito!

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Ficava sempre na varandinha esperando p’ra dar tchau antes do meu homem ir pro mar. Ba-ba-da.

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Ele ganhou a corrida de kayak e parecia uma criança! E eu vibrava do lado de cá 🙂

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Enquanto eles iam p’ro mar, eu sofria…

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Para terem uma ideia da limpidez da água, o meu pé estava dentro dela e aquela luz é o reflexo do sol!

Fora estas actividades, há também massagens e miminhos de beleza, há passeios de bicicleta em trilhas e pela vila para quem queira conhecer a comunidade em que o Lodge se abrigou.

Três aspectos que acho fundamentais mencionar sobre o Lodge:

  • Por ser um eco-lodge, eles fazem um trabalho específico para preservar a vida marinha naquela zona da baía. Fazem um trabalho de protecção das espécies marinhas e campanhas de sensibilização muito grandes junto aos pescadores para evitar a pesca com redes (numa área delimitada) que danificam os corais e à não pesca dos animais ainda em idade jovem, que prejudica e não respeita os períodos de reprodução necessários para a preservação de certas espécies.
  • Tem uma época linda de baleias, que acontece precisamente a partir desta altura do ano se não estou em erro e segue até Setembro mais ou menos. Elas nadam lá pertinho e é possível ir vê-las!
  • Não tem sinal de celular (tem telefone fixo para contacto) nem internet na maior parte do lodge! Tem a rede wi-fi do próprio lodge e alguns lugares onde pega a rede móvel, mas é o lugar perfeito para a gente existir e se desligar do stress da vida corrente. Curtir, só curtir a paz.

Website: www.nuarro.com
Facebook: www.facebook.com/nuarro
Telefones: +258 82 305 3028 / +258 82 305 3027

A quem experimentar, me conte depois, combinado? 😉

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Um lugar no meio de nada. Tão cheio de tudo.

Duas horas de avião depois, aterramos às 8:30 em Nampula. Algumas outras tantas horas depois começamos finalmente a roadtrip que nos levaria ao nosso ansiado destino. Depois de um ano de intenso trabalho, de alguma exaustão, de reiva da estupidez humana, finalmente chegava o início dos 10 dias de férias – oferecidas pelo amor mais lindo do mundo! – num paraíso até então desconhecido. Minha imaginação voava (tentava ao menos) durante as pelo menos 5 horas de viagem em terreno irregular e nada embalador. Até que o carro parou e percebi que chegamos. Sentia cada músculo do corpo moído de cansaço, meu pescoço doído de teimar e apoiar a cabeça no ombro do Pitão mesmo com o risco de contrair um traumatismo craniano de tanto dar lá com a cabeça… tanto que mal consegui prestar atenção no que me rodeava… por isso e porque bem, tava uma escuridão digna de um palácio de morcegos…

Mas na manhã seguinte, isto:

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Sim, isso era o que eu via todo o dia, durante 10 dias do alto da nossa cama. A quem ainda não morreu de inveja, desejo boa sorte p’ro resto do post! Hehehehe…

O Nuarro Lodge fica no distrito de Memba, na província de Nampula, região norte de Moçambique. É um dos chamados eco-lodges, adoptando métodos que minimizem ao máximo os danos que impingimos à Natureza com a desculpa de suprir as nossas necessidades básicas.

O aspecto mais visível está no tipo de construção: todos os chalés, restaurantes, bar, centro de mergulho e as outras dependências do lodge são feitos em material local, uma espécie de matope (designação para algo tipo barro, lodo, lama). O acabamento é bem caprichado, a estrutura é feita em madeira e pedra; fiquei surpreendida com a rigidez e consistência do material. Obviamente que demanda manutenção e retoque frequente, especialmente quando chove.

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Vista do interior do quarto a partir da varandinha. Pequeno, fofo, aconchegante!

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Detalhe do chuveiro, garrafas vazias imbutidas dão um toque super especial!

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Detalhe amoroso dentro da pia: pedrinhas! sou louca por essas pedrinhas!

Como espero que dê para perceber, a suíte é um open space, não há compartimentos fechados – minto, há somente um, que é onde fica o vaso sanitário que para evitar o desperdício de água provocado quando a gente dá a descarga, funciona com um sistema bem inteligente: o vaso está em comunicação com um poço fundo para onde vão os, ham, digamos, resíduos biológicos, que se degradam naturalmente na terra; no fundo do poço existe também uma espécie de ventilador em comunicação com um tubo no exterior do chalé com cerca de 3 metros de altura para controlar o odor. Pretty smart gentes? As costas da cama fazem divisória com a área da pia do banheiro e do chuveiro. Demais e muito bem pensado (digo eu)!

Outro aspecto fascinante foi a forma como o lodge foi construído se adaptando à Natureza e vegetação existente. Foi aberto um pequeno caminho, que as árvores abraçam formando um pequeno túnel e de manhã o dia começava caminhando por ele até ao restaurante ou ao bar de praia. Fone no ouvido, paz e verde. Entre o bar de praia, passando pelos chalés e terminando no restaurante se percorrem uns belos 12 km (viu? ainda dá p’ra emagrecer). Dá para ir pelo path ou pela praia. Eu só sei, que eu quero mais!

Quero mais da cobrinha de verde inofensiva, serelepeando diva e dando bom dia pela manhã (com o susto e o estarrecimento não consegui fotografar, perdoem!). Quero mais dos caranguejinhos que nos acompanhavam até ao chalé de noite e até dos escorpiões bebés que esperavam na porta do chalé p’ra dar boa noite. Aí a gente percebe, como a nossa existência é desconectada da mais pura forma de vida, como depois de alguns dias a gente facilmente se identifca com nossa essência, tão mais simples e todos esses encontros deixam de ser sobre naturais e passam a super naturais.

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Não dá vontade de juntar umas comidinhas, jogar uma toalha e ler um livro de barriga pro alto?

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Este caminho desembocava no bar de praia, onde passamos muito tempo e algumas refeições – di-vi-nas!

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Entrada do beach bar, ó a minha rede de estimação ali! (A! espaçosa né?)

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Esses dois almofadões eram meu recanto mágico, pra ler, pra ver o sol, pra ver a noite, pra existir.

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Cor, cor, cor! Capulana, capulana, capulana!

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Bases para os pratos feitas em corda, olha o capricho!

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Decoração da pia do banheiro do beach bar, apaixonei-me!

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Até o único momento de chuva teve direito a céuzão azul!

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Ah! tô indo agora prá um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa prá deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá

Roberta Miranda.

P.S. amanhã escrevo a segunda parte, hoje já estava ficando demasiado longo, então deixo-me ficar por aqui senão nem eu me aguento mais!