Um lugar no meio de nada. Tão cheio de tudo.

Duas horas de avião depois, aterramos às 8:30 em Nampula. Algumas outras tantas horas depois começamos finalmente a roadtrip que nos levaria ao nosso ansiado destino. Depois de um ano de intenso trabalho, de alguma exaustão, de reiva da estupidez humana, finalmente chegava o início dos 10 dias de férias – oferecidas pelo amor mais lindo do mundo! – num paraíso até então desconhecido. Minha imaginação voava (tentava ao menos) durante as pelo menos 5 horas de viagem em terreno irregular e nada embalador. Até que o carro parou e percebi que chegamos. Sentia cada músculo do corpo moído de cansaço, meu pescoço doído de teimar e apoiar a cabeça no ombro do Pitão mesmo com o risco de contrair um traumatismo craniano de tanto dar lá com a cabeça… tanto que mal consegui prestar atenção no que me rodeava… por isso e porque bem, tava uma escuridão digna de um palácio de morcegos…

Mas na manhã seguinte, isto:

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Sim, isso era o que eu via todo o dia, durante 10 dias do alto da nossa cama. A quem ainda não morreu de inveja, desejo boa sorte p’ro resto do post! Hehehehe…

O Nuarro Lodge fica no distrito de Memba, na província de Nampula, região norte de Moçambique. É um dos chamados eco-lodges, adoptando métodos que minimizem ao máximo os danos que impingimos à Natureza com a desculpa de suprir as nossas necessidades básicas.

O aspecto mais visível está no tipo de construção: todos os chalés, restaurantes, bar, centro de mergulho e as outras dependências do lodge são feitos em material local, uma espécie de matope (designação para algo tipo barro, lodo, lama). O acabamento é bem caprichado, a estrutura é feita em madeira e pedra; fiquei surpreendida com a rigidez e consistência do material. Obviamente que demanda manutenção e retoque frequente, especialmente quando chove.

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Vista do interior do quarto a partir da varandinha. Pequeno, fofo, aconchegante!

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Detalhe do chuveiro, garrafas vazias imbutidas dão um toque super especial!

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Detalhe amoroso dentro da pia: pedrinhas! sou louca por essas pedrinhas!

Como espero que dê para perceber, a suíte é um open space, não há compartimentos fechados – minto, há somente um, que é onde fica o vaso sanitário que para evitar o desperdício de água provocado quando a gente dá a descarga, funciona com um sistema bem inteligente: o vaso está em comunicação com um poço fundo para onde vão os, ham, digamos, resíduos biológicos, que se degradam naturalmente na terra; no fundo do poço existe também uma espécie de ventilador em comunicação com um tubo no exterior do chalé com cerca de 3 metros de altura para controlar o odor. Pretty smart gentes? As costas da cama fazem divisória com a área da pia do banheiro e do chuveiro. Demais e muito bem pensado (digo eu)!

Outro aspecto fascinante foi a forma como o lodge foi construído se adaptando à Natureza e vegetação existente. Foi aberto um pequeno caminho, que as árvores abraçam formando um pequeno túnel e de manhã o dia começava caminhando por ele até ao restaurante ou ao bar de praia. Fone no ouvido, paz e verde. Entre o bar de praia, passando pelos chalés e terminando no restaurante se percorrem uns belos 12 km (viu? ainda dá p’ra emagrecer). Dá para ir pelo path ou pela praia. Eu só sei, que eu quero mais!

Quero mais da cobrinha de verde inofensiva, serelepeando diva e dando bom dia pela manhã (com o susto e o estarrecimento não consegui fotografar, perdoem!). Quero mais dos caranguejinhos que nos acompanhavam até ao chalé de noite e até dos escorpiões bebés que esperavam na porta do chalé p’ra dar boa noite. Aí a gente percebe, como a nossa existência é desconectada da mais pura forma de vida, como depois de alguns dias a gente facilmente se identifca com nossa essência, tão mais simples e todos esses encontros deixam de ser sobre naturais e passam a super naturais.

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Não dá vontade de juntar umas comidinhas, jogar uma toalha e ler um livro de barriga pro alto?

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Este caminho desembocava no bar de praia, onde passamos muito tempo e algumas refeições – di-vi-nas!

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Entrada do beach bar, ó a minha rede de estimação ali! (A! espaçosa né?)

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Esses dois almofadões eram meu recanto mágico, pra ler, pra ver o sol, pra ver a noite, pra existir.

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Cor, cor, cor! Capulana, capulana, capulana!

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Bases para os pratos feitas em corda, olha o capricho!

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Decoração da pia do banheiro do beach bar, apaixonei-me!

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Até o único momento de chuva teve direito a céuzão azul!

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Ah! tô indo agora prá um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa prá deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá

Roberta Miranda.

P.S. amanhã escrevo a segunda parte, hoje já estava ficando demasiado longo, então deixo-me ficar por aqui senão nem eu me aguento mais!

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