Vichyssoise, prazer!

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Toda vez que eu vou fazer este creme não consigo evitar e perguntar: como podem 3 ingredientes tão simples, combinados (com mais algumas coisinhas claro) resultar em um conjunto de sabores tão explosivo?

Ontem recebi um telefonema do Homem, todo manhoso porque teve um dia de cão e quando perguntei “o que queres p’ro jantar?” – embora já imaginasse a resposta – ele respondeu “creme… tou com saudades!”. Sempre que ele diz isso, sei que se refere à sopa creme Vichyssoise (enrole a língua, faça um biquinho bem francês e leia “vichissuase”! hahahaha).

Esta sopa é uma receita tradicional da França e na verdade ela é também conhecida como uma sopa fria – sim, de comer fria – mas pode ser comida quente também, é deliciosa do mesmo jeito! É toda cremosinha e com uns sabores bem delicados mas ao mesmo tempo, intensos! E o melhor de tudo, muuuuito simples e rápida de fazer!

Os três ingredientes principais são esses da foto, mas sem os outros membros da equipa não seria a mesma coisa. A receita que utilizo é a seguinte:

Dose para 4 pessoas (civilizadas, que não repetem 3 vezes o prato como uns e outros que conheço hahaha!)

  • 4 talos de alho francês (poró/leeks) – só a parte branca, em tirinhas
  • 1 cebola grande picada
  • 4 batatas médias cortadas aos cubos
  • 2 cubos de caldo de galinha
  • Água quente (uns 750 ml, varia um pouco, já vão entender)
  • 250 ml de natas (creme de leite)
  • 3 colheres de azeite extra virgem (ou 2 colheres de manteiga)
  • pimenta e noz moscada, a gosto

Procedimento mais simples do mundo, não tem como errar:

Começa por refogar a cebola e o alho francês no azeite ou na manteiga, até começarem a ficar translúcidos.

Depois, junta a batata, os cubos de caldo de galinha e adiciona água quente – enche a panela até cobrir a batata e um pouco mais. Deixa cozinhar até a batata ficar cozida e macia (leva por aí uns 25 – 30 minutos) – se a água estiver acabando antes de a batata estar bem cozida, é só adicionar mais água.

Quando a batata estiver cozida, desliga o fogo, deixa arrefecer 5 minutitos. Logo que passar o tempinho, retira todo o conteúdo da panela e transfere para um liquidificador – se não tiver liquidificador, pode usar a varinha mágica directo na panela – e transforma em puré, batendo por cerca de 1 minuto.

Devolve toda a sopa pra panela, em lume baixo, adiciona as natas e mistura, delicadamente.

E pronto, quase pronto, é só temperar com pimenta preta e noz moscada – eu prefiro ralar na hora, dá um aroma e sabor mais intenso, mais fresco. “Só” é como quem diz, porque estes dois últimos toques fazem toda a diferença, são im-pres-cin-dí-veis, juro que sem eles não é a mesma coisa, não deixem eles fora da festa! Deu pra compreender a minha aflição? Hahahahahaha!

E voilà!
Podem vir me agradecer depois porque depois desta sopa, a vossa vida nunca mais vai ser a mesma – sentiu o drama?

Essa é a de ontem:PhotoGrid_1413986810126

Geralmente, pico um pouco de salsa e polvilho no topo, mas o Homem tava impaciente então resolvi ter amor ao meu pescocinho! Mas experimentem, fica muito bom também! E uma tacinha de vinho branco vai vos fazer muito feliz =)

Fui.

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| Risotto da Sorte. |

Chamei-lhe da sorte porque dependi completamente da sorte para ditar os ingredientes que usaria.

Cheguei a casa, varada de fome e a minha Palmirinha tinha percebido que eu não ia almoçar a casa. Pessoas, eu com fome sou uma selvagem. Intratável. Saltou-me a tampa. Mas feliz ou infelizmente, cozinhar também me acalma nos momentos de, digamos, tensão exacerbada. Comecei cozinhando batendo portas de armário, frigideiras no fogão, praguejando contra a geladeira. E já a meio estava mansinha… que nem um tigre enjaulado! Hahahaha. Mentira.

Provavelmente por causa do surto, não me apetecia nada. Massa, não. Farinhas, não. Batata, não. Arroz, não. Pera… que arroz? Basmati, não. Integral selvagem, demora horrores, não! Risotto, bem… dá um pouquinho de trabalho mas é tão cremoso, tão fofo, sim!

Abri a geladeira, vi o sagrado bacon e tudo se iluminou. Como sou uma pessoa boa, fiz uma dose para dois, contando com o meu enchedor de saco e irmão mais novo, Hugo.

Agora, pessoas, não se zanguem mas fiz tudo meio que a olho, então vou tentar lembrar-me o melhor possível das quantidades dos ingredientes.

Risotto com Bacon.

Ingredientes:

½ xícara de arroz arbóreo
5 fatias de bacon
½ cebola picada
1½ de basílico em pedacinhos
½ talo de aipo em pedacinhos
1 talo de alho francês (poró, leeks, o que preferirem)
2 dentes de alho em pedaços
2 colheres de sopa de óleo de côco
150 ml de natas
Sal, pimenta e noz-moscada a gosto
Coentro fresco picado a gosto

  • Numa frigeira – funda de preferência; se não, num tacho médio – fritar as tiras de bacon. eu gosto delas crocantes, então deixo tostar um pouco, mas aí já depende do gosto de cada um (frita o bacon sem óleo mesmo porque ele já solta gordurinha suficiente para dar conta do próprio recado. Bacon é tudo de bom, é até auto-suficiente! hahaha).
  • Em seguida, começa a ginástica. Fazer um risotto só tem esta parte de chata, é que o arroz tem que ser cozinhado sempre mexendo. Eu fervi cerca de 300 ml de água e pus ao alcance da minha mão, porque a água vai sendo acrescentada aos poucos. Então, junta o arroz ao refogado, frita por cerca de um minuto sempre mexendo, acrescenta água suficiente para cobrir o arroz e continua mexendo. Sempre que a água acabar, acrescenta-se mais um pouco e vai repetindo o processo até que o arroz esteja cozido – ele vai ficar assim meio translúcido à medida que cozinha. Demora cerca de 10/15 minutos a ficar no ponto. Na dúvida, prova! Hahahaha!
  • Retira o bacon, corta em pequenos pedaços e reserva à parte. Na mesma frigideira em que se fritou o bacon, põe o óleo de côco e junta a cebola, o basílico, o aipo, o alho francê e o alho e refoga em modo stir fry, sempre mexendo, especialmente para não deixar queimar o alho. Faz isto por uns 5 minutos. Vai se soltar um aroma divino que faz lembrar cozinha tailandesa! 🙂
  • Quando o arroz estiver pronto, junta o bacon e em seguida as natas. Vai mexendo até ficar na espessura desejada, mais ou menos líquido – eu gosto dele mais molhadinho.
  • Depois pronto, é só temperar com sal, pimenta e nóz moscada – que eu gosto de ralar na hora – salpica o coentro e pronto, habemus almoço!

Simples, rápido, delícia! 🙂

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Processed with VSCOcam with g3 presetP.S. Ah sim, eu sou a louca do coentro (também), prazer!

| Atum e Companhia. |

Já faz algum tempo, muito tempo, que descobri que na cozinha morava um pedaço enorme da minha alma. Ali, em meio aos temperos e colheres de pau, sinto-me uma maga doida jogando tudo no caldeirão com uma risada algo demoníaca mas fazendo resultar em magia digna de Fada Sininho; em meio àquele que hoje julgo ser o melhor cheiro do mundo – cebola fritando no azeite – sou eu mesma, crio, viajo, experimento, danço, serelepeio, (so)rio-me sozinha e basto-me; e tudo isso sabe tão bem que a cozinha passou a ser a casa para onde quero voltar no final do dia. E enquanto não posso fazer disso a minha vida, vou fazendo disso experiências de vida para aqueles que amo.

E eu que adoro blogar e fuçar em blogs especialmente de comida, senti-me egoísta por não usar o meu também para partilhar as minhas “cozinhâncias”. Vamos a isto!

Então, a pessoa, voltou para a dieta (coff, coff) esta semana e ontem lembrei de um postão enorme de atum que me sorria todos os dias do alto do congelador. Decidi que tinha chegado a hora de nos conhecermos melhor!

Face à dieta, não pensei em mais nada senão comê-lo grelhado mas não queria só temperá-lo com sal e pimenta, queria um saborzinho a mais! Pensei em laranja, fucei um pouco nesse mundo de receitas acima e decidi experimentar esta – com algumas adaptações pessoais:

Atum em Marinada de Laranja e Molho de Soja

1kg de atum em postas (gordinhas de preferência)
½ xícara de molho de soja (usei um com sódio reduzido)
1 xícara de sumo de laranja
2 colheres de sopa de sumo de limão
4 colheres de azeite
5 dentes de alho amassados
Coentro, óregano (ambos frescos, de preferência) sal e pimenta, a gosto

Faz-se num recipiente suficientemente grande, um molho com todos os ingredientes (excepto o atum, óbvio hehehe). Põem-se os filetes a marinar por cerca de uma hora na geladeira. Às vezes eu uso um daqueles freezer bags, que são perfeitos para marinar; é só pôr o molho lá dentro, no caso juntar os filetes de atum, fechar e deixá-los quietinhos a namorarem-se.

Prepara-se o grelhador (usei um daqueles de boca de fogão mesmo); unta-se bem de leve com um fiozinho de azeite. Tipo, é mesmo só um fiozinho, porque senão vira fritura!

Grelham-se os filetes. Ora bem, essa parece uma frase simples, mas aqui residem ambos, o segredo e o perigo. Aprendi com o tempo que o atum tem uma carne manhosa, cheia de caprichos. Tal como a carne de avestruz, podem ser as coisas mais tenras dessa vida, mas se passam do ponto, ficam mais duras e “chuinguentas” do que uma cabeça teimosa! Então, o filete de atum tem que ser vigiado enquanto grelha, quando começar a ficar cozido num dos lados (a carne começa a ficar clara) – por aí depois de cerca de 2 minutos – vira-se o filete e deixa-se cozinhar mais ou menos pelo mesmo tempo. O resultado vai ser que a carne no meio, vai estar ainda com o tom mal passado. E para quem tem pavor de sushi (que não é o meu caso), ela não fica sabendo a carne crua não!
No entanto, se acharem que é demais p’ros vossos paladares processarem, podem arriscar e deixá-la cozinhar um pouco mais, retirando ASSIM QUE a carne ficar clarinha como o resto do filete – tive que fazer assim para a minha mãe que faz parte do grupo pavorento que mencionei acima e tinha a mania de mandar voltar o prato no restaurante sempre que pedia filete de atum porque dizia que vinha cru! Até que desenhei que era mesmo dessa forma que era aconselhável preparar hahahahahaha.

Ah! Muitas receitas dizem para dispensar a marinada. Eu cá não sou gulosa de dispensar seja o que for, por isso pus um fio de azeite numa frigideira, fritei umas rodelas de cebola, juntei o molho da marinada, mais sumo de meia laranja e deixei ele reduzir nele mesmo. Juntei também uma colher de chá de açúcar mascavado só pra dar uma caramelizada no molho. E juro que o docinho dele, com a acidez e sal do atum, formou um par de amor eterno – a primeira dança foi no meu estômago!

O resultado foi este:

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Sim, esqueci de tirar foto do centro do filete para visualizarem melhor o ponto mal passado, podem me bater.

Uh, uh! E, receita adaptada de All Recipes.