Sobre a desesperança.

Terça-feira que passou, passei o dia todo jururu. Morna. Inerte. Triste.

Um homem foi morto. E digo homem no sentido de ser humano. E homem nenhum deveria ser morto por verbalizar o que lhe vai no pensamento ou na alma. Aliás, homem nenhum deveria ser morto, deveríamos apenas morrer e não ser arrancados das nossas vidas, do que ainda tínhamos por viver, do que ainda tínhamos por dizer, do que ainda tínhamos por sonhar, das nossas pessoas, dos nossos amores, das nossas dores.

Não estou aqui para discutir teorias políticas que haja por detrás, por frente ou pelos lados, sendo muito honesta é o que me interessa menos. Não estou aqui para discutir, ponto. Tenho é a alma aflita, porque rodopio no centro dela e continuo sem entender que tipo de falta de sentir leva qualquer ser (des)humano a arquitectar algo tão… podre. Senti vergonha, senti nojo, de pertencer a esta espécie que de sapiens talvez tenha só o pózinho que fica no fundo do pote vazio de açúcar. Respeitamo-nos cada vez menos, resolvemos tudo na base da intolerância, ambição e poder são gritos de guerra. Fazia (muito) tempo que não sentia tanta desesperança. O que é que faz o mal valer tanto a pena? Em que escanteio deixamos largada nossa essência? O tempo todo me vinha à cabeça a cena do filme Dawn of the Planet of the Apes em que um diz p’ro outro “ape not kill ape”. Um princípio básico que todo animal respeita (sendo nós a excepção que confirma a regra, palmas!), que nem deveria ser ensinado, não devia nem ser princípio, devia ser instinto. E nós aqui, cagando em tudo – não me desculpem pela expressão.

Só sei que, se continuar do jeito que tá, daqui a pouco a frase de ordem vai ser: o luto continua! Porque a luta, estamos perdendo para nós mesmos, batalha por batalha.

p.s. e eu sei que esta sensação vai passar, que verei de novo a esperança em cada sorriso que preenche minha alma, em cada coração que faz parte de mim, em cada pedacinho de paz em que me encontro.