Olhos d’Água

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Esses olhinhos que me ensinaram:

O que é dormir de mente acordada pra não falhar o leite que tem que ser dado de 3 em 3 horas.

O que é achar a pose de lord falido e charlatão que se acha o oásis do deserto no sofá a coisa mais adorável do mundo e arredores.

O que é sentir o aperto e a aflição no peito com o medo de que alguma coisa ruim aconteça contigo e mesmo assim te chamar “gato safado sem vergonha, tu pagas-me, só me dás desgosto!” com um sorriso no rosto p’ra te tranquilizar.

Que se procura – e se encontra – calor e aconchego nos locais mais improváveis – ainda que isso signifique endoidar todo mundo que te procura em todo lado menos nos pés da cama encarafinhado no edredón.

Que temos que estar preparados pra nos defender de qualquer ataque que pode vir de onde menos se espera e nos derrubar pelas canelas.

Que flores, talvez sejam uma iguaria que nós humanos somos ainda somos subdesenvolvidos demais para ter a honra de (re)conhecer e saborear.

Que existem mil e uma utilidades para um punhado de cachos compridos: eles podem servir de balanço, corda de escalada ou saco de treino de artes marciais para gatos.

Que temos que reconhecer e agradecer quando temos o nosso cabelo gentilmente desembaraçado por essas mini-garras.

Que a gente pode amar tanto um ser felpudo, abusado de quatro patas que acha lindo quando nossa melhor amiga o chama de “fio” e a mim de “madrinha” (assinado, a boba de plantão).

Que a gente pode amar tanto, que dói dar um tapa correctivo quando mijas na única coisa mais valiosa pra nós do que tu: os sapatos! (brincadeira, mas não resisti ahahahahaha!)

Que a gente pode amar tanto que nem liga pra quem faz piada quando a gente comemora o teu aniversário em público só porque it is that important!

Que não interessa – podes não falar, não raciocinar como um humano (com certeza racicionas mais que muitos deles) – mas o que sentimos por ti é tão verdadeiro quanto se fosses um. Porque nos ensinaste muito. E sei que sentiste o amor que te temos é de verdade. Que as lágrimas que te choramos foram de verdade.

E que p’ra nós és mais do que “só um gato”. És um mijão filho da mãe que dá piti quando os avós viajam e não levam junto. Que nos esnoba quando a gente vai buscar carinho e tem a cara de pau de voltar quando quer colo porque sabe que não somos capazes do mesmo.

És abusado e sem vergonha com olhos azuis de mar. Azuis d’água. Água que te deu o nome: Jala. És o gatão dos olhos d’água que é o menino dos nossos olhos canela.

Até já estafermo! Vai afiando as unhas nas canelas de Michael, Elis, Cássia, Aaliyah, Lennon, Russo, Tim, Chorão, Whitney e companhia e penteando os cabelos de Deus!

Foto: Jala, com 10 dias, mamando na palma da minha mão!