(In)quietudes #1

Percebi o quanto sinto a falta do perto. O perto nos aconchega, nos dá colo. O perto nos humaniza. O perto é aquela lareira deliciosa na noite gelada de inverno.

Não pensei que a próxima vez em que iria à tua casa, seria de encontro marcado com a certeza de que nunca mais lá voltarias. Senti-te a falta em cada detalhe da sala, dos corredores, inclusive naqueles azulejos embutidos na parede que passei a viagem inteira imaginando se ainda lá estariam. Eles estavam. Na minha cabeça o filme de um Natal adolescente em que ouvíamos “Noite Branca” dos Anjos como se fosse um hino da República, que passava em replay. Senti-te a falta no tom de voz calmo, comedido, sereno que não chegava nunca.

E tudo o que eu precisava era do perto outra vez.

E como gerir as emoções chiando em contramão? A dor e a tristeza que nos carimbou o boarding pass do avião que chocava com a alegria do reencontro, com os risos e sorrisos que o perto nos traz.

A culpa desvaneceu-se enfim, quando percebi que mais uma vez nos uniste, nos juntaste. E ainda que por apenas 3 dias, estivemos mais juntos que em uma década. Ainda que com peças soltas, o puzzle estava firme. E que ao teu jeito, à tua maneira, arranjaste forma de nos sentar à volta da mesma mesa para partilhar as gargalhadas e as preocupações. À tua maneira fizeste um arranjo para que voltássemos a partilhar calor e abraços. Na mesma medida lágrimas e amparo. E por tudo isso, obrigada. Obrigada por mesmo no momento de mais profunda dor, nos mostrares que enquanto estivermos juntos, há-de sempre haver um sorriso, uma gargalhada estrondosa e muito amor no pano de fundo!

A saudade só mudou de endereço. Que em frente, encontres apenas paz!

À minha família, que amo. A que valorizemos sempre e mais o perto; que lutemos para fazê-lo acontecer antes que o distante se torne o impercorrível.

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“E no meio de tanta gente eu encontrei você…”

Na verdade eu acho que foste tu quem me encontrou. Tu e o teu emaranhado de cachos pretos brilhantes. Tu e os olhos castanho-esverdeados em que me morro de amor (e de inveja!). Encontrei-me no teu abraço como só me encontro na segurança das minhas paredes café e vermelhas. Como só me encontro no cheiro dos incensos e essências de ylang ylang ou de cidreira quando me embalam.
Passamos por poucas não tão boas. Mas passamos por inúmeras que de tão boas parecem feitas só de sonho.
E todos os dias eu aprendo. Aprendo que esse papo de que relacionamento depois de 2 anos fica chato é bullshit de quem não quer se dar ao trabalho de mudar a decoração de tempos em tempos. Não tem nada mais bonito que redecorar um espaço que amamaos e tu no teu jeito robialac e estabanado de ser me ensinas isso todo dia. Mudar a cor de um beijo. Pendurar uma moldura com foto nova no abraço. Mudar a posição das briguinhas como manda o feng shui, pra energia circular e nos construirmos nelas. Reciclar os temas de conversa antes de dormir. Colocar mais almofadas nas guerras de “cosquinha”. Ou pelo menos, trocar as fronhas delas. E todo o dia eu quero mais. Quero mais da sintonia gastronómica desmedida. Quero mais de me enroscar com meus pés frios nas tuas pernas. Quero mais da liberdade – e sobretudo do carinho – que tens de me dizer quando um pneu começa a tomar contornos indesejados haha! Quero mais das mãos dadas durante uma roadtrip. Quero mais de sentir junto saudade do Michael Joseph Jackson. Quero mais de podermos discordar dos pontos de vista um do outro. Quero mais de agradeceres a ti mesmo no estilo exibidoémeunomedomeio “once again, David was right! Thank you! Thank you!” cada vez que estás certo e eu errada. Quero mais de sonhar junto. Quero mais de discutir a rotina do dia a cada dia. Quero mais dos abraços e beijos cada vez que te cozinho uma coisa muito gostosa. Quero mais das lareiras que só tu sabes acender. Quero mais da empatia nas dores, alegrias e conquistas um do outro.  Quero mais de me segurares, com sermões ou com lullabies quando vou cair. Quero mais da segurança e do calor nos teus (a)braços. Quero mais de te rires de mim quando choro a ver uma série. Quero mais de me irritar quando dizes “ooowwnn”. Quero, mais e mais. Porque sou gulosa, como tu mesmo dizes. Porque quanto mais me dás, mais de ti, mais de nós quero. Sempre.
Obrigada por nasceres pra mim. Obrigada por nasceres amor em mim.

Parabéns meu Amor.
To my you, from your me.

Te amo.

Amor

Mais sobre Nuarro Lodge

… eu sei. Mas não culpem, foi difícil voltar antes, não deu mesmo, juro que não foi descaso.

Este post é a continuação do anterior, só para fechar mesmo e contar um pouco mais do que se pode fazer no Nuarro Lodge – além é claro de comer, trabalhar o bronze, caminhar, jiboiar, adormecer, contar estrelas, observar a rotina dos caranguejos…

As actividades principais do Lodge são em interacção com o azulão de nossas vidas: o mar. Pode se fazer mergulho (inclusive o curso, para quem queira e vá permanecer tempo suficiente. Amor fez e AMOU!) nos corais – eu sou medricas mas vi as fotos e videos que o Pitão fez  no fundo do mar com o grupo e é cada criatura linda, parece outra dimensão! – snorkeling para quem não queira ir tão fundo, passeios de kayak – esse eu fiz, YEEEIII! -, piqueniques nos mangais e nas praias (há as do lodge e uma privada, linda!).

A equipa é super sangue bom – não é por ser amiga de dois deles, juro! ehehehe – e conta com dois instrutores profissionais de mergulho, a Kerry e o Aaron, muito simpáticos e que sabem transmitir segurança sempre com muito bom humor!

Os mangais minha gente, valem tudo a pena. Eu sempre tive pavor de actividades em alto mar (traumas da minha torta existência, nada grave) e foi um desafio pra mim enfrentar o kayak, que é para quem não sabe, basicamente uma canoinha onde cabem um ou dois ocupantes. Fui com o Pitão, o que é claro fez toda a diferença. E digo-vos: 10 minutos depois, quando consegui controlar a compulsão de olhar pra baixo e panicar (porque a água é tão transparente que dá p’ra ter perfeita sensação de quão fundo é e imaginar tudo que pode dar errado), quando aprendi a controlar o kayak e parei p’ra prestar atenção em toda a calmaria, beldade e magia dos mangais esqueci tudo. Até me arrepio de lembrar. Sair das super ondas do mar e entrar naquele canalzinho em que de repente tudo muda: a água é calma e paradinha, não se ouve barulho que não sejam dos pássaros ou das nossas risadas e tudo flui…
Infelizmente ainda não tenho as fotos que tiramos nos mangais, exactamente como as dos mergulhos do David porque foram tiradas pelas máquinas dos instrutores e ainda não conseguimos acesso a elas, mas assim que as tiver exibirei minha coragem e bravura! Hahahaha!

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Instrutor Aaron, passando informações de comunicação debaixo d’água! E meu gato muito sexy em roupa de mergulho!

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Testando a funcionabilidade do equipamento (fazia parte do curso também!)

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A equipa que ajuda na manutenção e preparação do equipamento, todos de amarelito!

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Ficava sempre na varandinha esperando p’ra dar tchau antes do meu homem ir pro mar. Ba-ba-da.

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Ele ganhou a corrida de kayak e parecia uma criança! E eu vibrava do lado de cá 🙂

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Enquanto eles iam p’ro mar, eu sofria…

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Para terem uma ideia da limpidez da água, o meu pé estava dentro dela e aquela luz é o reflexo do sol!

Fora estas actividades, há também massagens e miminhos de beleza, há passeios de bicicleta em trilhas e pela vila para quem queira conhecer a comunidade em que o Lodge se abrigou.

Três aspectos que acho fundamentais mencionar sobre o Lodge:

  • Por ser um eco-lodge, eles fazem um trabalho específico para preservar a vida marinha naquela zona da baía. Fazem um trabalho de protecção das espécies marinhas e campanhas de sensibilização muito grandes junto aos pescadores para evitar a pesca com redes (numa área delimitada) que danificam os corais e à não pesca dos animais ainda em idade jovem, que prejudica e não respeita os períodos de reprodução necessários para a preservação de certas espécies.
  • Tem uma época linda de baleias, que acontece precisamente a partir desta altura do ano se não estou em erro e segue até Setembro mais ou menos. Elas nadam lá pertinho e é possível ir vê-las!
  • Não tem sinal de celular (tem telefone fixo para contacto) nem internet na maior parte do lodge! Tem a rede wi-fi do próprio lodge e alguns lugares onde pega a rede móvel, mas é o lugar perfeito para a gente existir e se desligar do stress da vida corrente. Curtir, só curtir a paz.

Website: www.nuarro.com
Facebook: www.facebook.com/nuarro
Telefones: +258 82 305 3028 / +258 82 305 3027

A quem experimentar, me conte depois, combinado? 😉

Um lugar no meio de nada. Tão cheio de tudo.

Duas horas de avião depois, aterramos às 8:30 em Nampula. Algumas outras tantas horas depois começamos finalmente a roadtrip que nos levaria ao nosso ansiado destino. Depois de um ano de intenso trabalho, de alguma exaustão, de reiva da estupidez humana, finalmente chegava o início dos 10 dias de férias – oferecidas pelo amor mais lindo do mundo! – num paraíso até então desconhecido. Minha imaginação voava (tentava ao menos) durante as pelo menos 5 horas de viagem em terreno irregular e nada embalador. Até que o carro parou e percebi que chegamos. Sentia cada músculo do corpo moído de cansaço, meu pescoço doído de teimar e apoiar a cabeça no ombro do Pitão mesmo com o risco de contrair um traumatismo craniano de tanto dar lá com a cabeça… tanto que mal consegui prestar atenção no que me rodeava… por isso e porque bem, tava uma escuridão digna de um palácio de morcegos…

Mas na manhã seguinte, isto:

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Sim, isso era o que eu via todo o dia, durante 10 dias do alto da nossa cama. A quem ainda não morreu de inveja, desejo boa sorte p’ro resto do post! Hehehehe…

O Nuarro Lodge fica no distrito de Memba, na província de Nampula, região norte de Moçambique. É um dos chamados eco-lodges, adoptando métodos que minimizem ao máximo os danos que impingimos à Natureza com a desculpa de suprir as nossas necessidades básicas.

O aspecto mais visível está no tipo de construção: todos os chalés, restaurantes, bar, centro de mergulho e as outras dependências do lodge são feitos em material local, uma espécie de matope (designação para algo tipo barro, lodo, lama). O acabamento é bem caprichado, a estrutura é feita em madeira e pedra; fiquei surpreendida com a rigidez e consistência do material. Obviamente que demanda manutenção e retoque frequente, especialmente quando chove.

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Vista do interior do quarto a partir da varandinha. Pequeno, fofo, aconchegante!

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Detalhe do chuveiro, garrafas vazias imbutidas dão um toque super especial!

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Detalhe amoroso dentro da pia: pedrinhas! sou louca por essas pedrinhas!

Como espero que dê para perceber, a suíte é um open space, não há compartimentos fechados – minto, há somente um, que é onde fica o vaso sanitário que para evitar o desperdício de água provocado quando a gente dá a descarga, funciona com um sistema bem inteligente: o vaso está em comunicação com um poço fundo para onde vão os, ham, digamos, resíduos biológicos, que se degradam naturalmente na terra; no fundo do poço existe também uma espécie de ventilador em comunicação com um tubo no exterior do chalé com cerca de 3 metros de altura para controlar o odor. Pretty smart gentes? As costas da cama fazem divisória com a área da pia do banheiro e do chuveiro. Demais e muito bem pensado (digo eu)!

Outro aspecto fascinante foi a forma como o lodge foi construído se adaptando à Natureza e vegetação existente. Foi aberto um pequeno caminho, que as árvores abraçam formando um pequeno túnel e de manhã o dia começava caminhando por ele até ao restaurante ou ao bar de praia. Fone no ouvido, paz e verde. Entre o bar de praia, passando pelos chalés e terminando no restaurante se percorrem uns belos 12 km (viu? ainda dá p’ra emagrecer). Dá para ir pelo path ou pela praia. Eu só sei, que eu quero mais!

Quero mais da cobrinha de verde inofensiva, serelepeando diva e dando bom dia pela manhã (com o susto e o estarrecimento não consegui fotografar, perdoem!). Quero mais dos caranguejinhos que nos acompanhavam até ao chalé de noite e até dos escorpiões bebés que esperavam na porta do chalé p’ra dar boa noite. Aí a gente percebe, como a nossa existência é desconectada da mais pura forma de vida, como depois de alguns dias a gente facilmente se identifca com nossa essência, tão mais simples e todos esses encontros deixam de ser sobre naturais e passam a super naturais.

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Não dá vontade de juntar umas comidinhas, jogar uma toalha e ler um livro de barriga pro alto?

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Este caminho desembocava no bar de praia, onde passamos muito tempo e algumas refeições – di-vi-nas!

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Entrada do beach bar, ó a minha rede de estimação ali! (A! espaçosa né?)

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Esses dois almofadões eram meu recanto mágico, pra ler, pra ver o sol, pra ver a noite, pra existir.

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Cor, cor, cor! Capulana, capulana, capulana!

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Bases para os pratos feitas em corda, olha o capricho!

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Decoração da pia do banheiro do beach bar, apaixonei-me!

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Até o único momento de chuva teve direito a céuzão azul!

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Ah! tô indo agora prá um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa prá deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá

Roberta Miranda.

P.S. amanhã escrevo a segunda parte, hoje já estava ficando demasiado longo, então deixo-me ficar por aqui senão nem eu me aguento mais!

Sobre o desapego.

“Amar é permitir, sempre… Amar é deixar que o outro vá.”
Edson Marques

O desapego é um talento difícil de aprender. Raramente nascemos trabalhados no desapego. Que nada. Mas é natural, a natureza do ser humano é egoísta, como qualquer animal somos calibrados no tal do “instinto de sobrevivência” – um jeito cordial de dizer que estamos, na hora do vamo ver!, “cagando e andando pros outros!”. Don’t get me wrong, felizmente também temos a capacidade de amar, de nos entregarmos, de dar a vida por um outro que amemos.
Não, não estou louca ainda. Tenho pensado muito nisto nos últimos dias.

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Madiba – como é carinhosamente chamado Nelson Mandela – foi hospitalizado, no início do mês, por uma infecção recorrente nos pulmões. Perfeitamente compreensível e até surpreendente que só aos 94 se manifeste com tanta gravidade considerando o histórico de pneumonias e turbeculose que ele teve que combater – não bastasse tudo o resto – ainda durante o tempo de prisão. Sempre que visualizo a cela minúscula, a manta e a esteira no chão gelado de cimento e imagino o frio das correntes de Cape Town no meio de uma ilha, me sinto desfalecer em crise de hiportemia.

Madiba é um pai para os africanos. Admirado pelo mundo. Um ídolo. Um guia. A esperança. O sonho. O sonho de muitos africanos, de uma África livre. Livre acima de tudo na mente (“Liberdade p’ra dentro da cabeça” passando em trilha sonora na minha cabeça agora.). A luta dele por um ideal de liberdade e igualdade não é novidade para o mundo. Por uma África do Sul que se tornasse na Nação Arco-Íris. Ideal esse pelo qual declarou estar disposto a dar a sua vida. E tenho em mim a certeza de que embora não vá morrer em combate, ele deu. Tanto deu, que algumas vezes pôs em causa relações com pessoas muito próximas que pura e simplesmente não entendiam – mais do que isso, não aceitavam – a visão de reconciliação – em lugar do previsível caminho da vingança – que tinha ao sair da prisão e ser eleito Presidente. E mesmo que muitos continuem sem entender, aceitar ou ambos, os africanos, em especial os sul-africanos sentem-no como a cola que os mantém juntos, que os lidera ao almejado sonho, que conserva o ideal. Aquele que é capaz de acções que nem mesmo eles se vêem capazes de tomar. Aquele que é um humano tão melhor que nós. Tão melhor do que aquilo que nos julgamos, com todos os nossos rancores, capazes de ser. E talvez seja isso que torna insuportável a hipótese de o perder.

Desde que foi hospitalizado, um desespero tomou conta. Uma ansiedade sem tamanho. Uma aflição desmedida. As pessoas cravam as garras na fé, orando e implorando a todos os deuses que não nos tirem o homem que a gente vê acenando na meta quando nos exercitamos para nos tornarmos pessoas melhores. E olha que ele tem defeitos. E os reconhece. Talvez seja essa o outro talento que nos encanta: o de conseguir enxergar em si os defeitos e os aceitar, engolir a seco e trabalhá-los, aceitar-se imperfeito e ser o seu próprio bad cop. A África do Sul se mobiliza em vigílias e canções à porta do hospital, flores, estátuas de areia. O mundo inunda as redes sociais de posts com preces, com citações de seus dizeres – que muitos tomam como ensinamentos e lições de vida -, com fotografias, com textos que enaltecem e homenageiam o grande (super) humano que ele é, meio em jeito de auto-terapia para preparação do inevitável. As manchetes gritam que Mandela luta para sobreviver. Eu digo que nós é que lutamos para o manter vivo. Que relutamos em desligar as máquinas que reforçam a ilusão de que o poderemos manter infinitamente por perto. Mas até que ponto não será puro egoísmo de filho nosso? Amamo-lo, sem dúvida, mas justamente por isso acho que é altura de o deixarmos ir. De o libertarmos. De mostrar que aprendemos o valor da liberdade do outro que ele nos ensinou. Acho que a melhor forma de mostrar nosso amor, nossa admiração, é justamente deixá-lo ir com a certeza de que os valores que nos ensinou em nós vivem e serão sempre a inspiração que nos guia.

Ele não foi o primeiro a lutar por liberdade, igualdade, paz. Por isso, por maior que seja o meu medo, me recuso a acreditar que seja o único que ainda exista capaz disso no mundo. Ele já fez a sua parte, talvez tenha feito muito mais do que lhe cabia. O dever de continuar é nosso. Não mais dele. Já nos deu tudo de si.

Nos vemos com medo de o perder porque tememos o efeito de desunião que pode nascer. Nos vemos com medo de o perder, porque temos medo de nos perdermos também, de não acharmos o caminho por onde continuar. Temos medo de o perder porque tememos que junto com ele, morra o sonho. Mas estamos fazendo tudo errado. Não temos que mantê-lo aqui à força para manter o sonho vivo. Temos que manter o sonho vivo para honrá-lo e mostrar que sua luta não foi em vão. Porque é assim que ele vai continuar vivendo também.

Minha alma dói, meu coração aperta, minhas entranhas se reviram só de imaginar o momento cada vez mais certo. Escrevo esse texto sentindo lágrimas indo e vindo mas mesmo assim adapto Maria Gadú:

Vai tranquilo Madiba, teu rebanho tá pronto.

“Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego, não quer ir embora
Diaxo! Ele tem que querer.”

Sobre o que aquece alma e coração <3

Engraçado, eu estava aqui, divagando, tentando decidir o que postar.

Vai daí, entra uma mensagem da minha prima, eufórica fazendo de scan de váááárias fotos que achou perdidas por aí! Logo a primeira que ela me mandou, me abriu um sorriso, fez a alma levitar e umas lágrimas marejarem os olhos…

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“Walked down the sidewalk
Staring at your feet
Wishing my steps were longer
So by your sides I could keep

No one loves me just like you do
No one knows me just like you do
No one can compare to way my eyes fit in yours
You’ll always be my father
And I’ll always be your joy”

Chrisette Michelle – Your Joy

Por esse sentimento com jeito de aurora boreal que nos une. Pelo mesmo jeito de ver a vida sempre com graça que herdei de ti. Pelas farpas sarcásticas que trocamos no meio de sorrisos. Pelos olhares cheios de significado que só nós sabemos ler um do outro. Pelo colo sempre aberto p’ra receber os meus medos, minhas carências. Pelos mimos (nem sempre) na medida certa. Pelos sacrifícios que não me deixas perceber que o são (tentas, não consegues). Pela cumplicidade. Pela compreensão. Pela (infinita) paciência. Por me ameaçares que nunca mais me dás número de telefone nenhum porque nunca os gravo. Pelas toalhinhas molhadas e geladas que me faziam rir pequenina quando tinha febre. Pelo jeito meigo com que destapavas SÓ os meus pés no inverno p’ra me acordar (tsc!). Por entrares pelo quarto adentro, ligares a TV e sentares no pé da minha cama às 4 da manhã quando eu chegava da balada, morta de sono e só tu me ouvias entrar. Pelos sermões. Pelo sushi que te faço partilhar comigo às quintas feiras. Por sofreres quando eu sofro. Porque sofro quando tu sofres. Pelo calor que só encontramos no nosso abraço:

Obrigada papis!

É… acho que foi por isso. E por mais um pouco.

Olhos d’Água

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Esses olhinhos que me ensinaram:

O que é dormir de mente acordada pra não falhar o leite que tem que ser dado de 3 em 3 horas.

O que é achar a pose de lord falido e charlatão que se acha o oásis do deserto no sofá a coisa mais adorável do mundo e arredores.

O que é sentir o aperto e a aflição no peito com o medo de que alguma coisa ruim aconteça contigo e mesmo assim te chamar “gato safado sem vergonha, tu pagas-me, só me dás desgosto!” com um sorriso no rosto p’ra te tranquilizar.

Que se procura – e se encontra – calor e aconchego nos locais mais improváveis – ainda que isso signifique endoidar todo mundo que te procura em todo lado menos nos pés da cama encarafinhado no edredón.

Que temos que estar preparados pra nos defender de qualquer ataque que pode vir de onde menos se espera e nos derrubar pelas canelas.

Que flores, talvez sejam uma iguaria que nós humanos somos ainda somos subdesenvolvidos demais para ter a honra de (re)conhecer e saborear.

Que existem mil e uma utilidades para um punhado de cachos compridos: eles podem servir de balanço, corda de escalada ou saco de treino de artes marciais para gatos.

Que temos que reconhecer e agradecer quando temos o nosso cabelo gentilmente desembaraçado por essas mini-garras.

Que a gente pode amar tanto um ser felpudo, abusado de quatro patas que acha lindo quando nossa melhor amiga o chama de “fio” e a mim de “madrinha” (assinado, a boba de plantão).

Que a gente pode amar tanto, que dói dar um tapa correctivo quando mijas na única coisa mais valiosa pra nós do que tu: os sapatos! (brincadeira, mas não resisti ahahahahaha!)

Que a gente pode amar tanto que nem liga pra quem faz piada quando a gente comemora o teu aniversário em público só porque it is that important!

Que não interessa – podes não falar, não raciocinar como um humano (com certeza racicionas mais que muitos deles) – mas o que sentimos por ti é tão verdadeiro quanto se fosses um. Porque nos ensinaste muito. E sei que sentiste o amor que te temos é de verdade. Que as lágrimas que te choramos foram de verdade.

E que p’ra nós és mais do que “só um gato”. És um mijão filho da mãe que dá piti quando os avós viajam e não levam junto. Que nos esnoba quando a gente vai buscar carinho e tem a cara de pau de voltar quando quer colo porque sabe que não somos capazes do mesmo.

És abusado e sem vergonha com olhos azuis de mar. Azuis d’água. Água que te deu o nome: Jala. És o gatão dos olhos d’água que é o menino dos nossos olhos canela.

Até já estafermo! Vai afiando as unhas nas canelas de Michael, Elis, Cássia, Aaliyah, Lennon, Russo, Tim, Chorão, Whitney e companhia e penteando os cabelos de Deus!

Foto: Jala, com 10 dias, mamando na palma da minha mão!